domingo, 30 de março de 2014

"OCEANO"

  "OCEANO"

Barco afundado no oceano
Do nosso absinto
Alfazema perfumadas nos montes da infância
Rosas belas cheias de espinhos ferem o corpo
Escarpas feridas.
Banhando-se de sangue
Camélias com aroma do nosso outono longo
Alecrim cheiroso
Selvagem como a nossa alma.
Lírios de todas as cores.
Trazem a saudade esquecida
Papoilas nos campos
Cheios de trigo, centeio ou cevada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


quinta-feira, 27 de março de 2014

"TRISTE DIA"

 "TRISTE DIA"

O dia está triste
As lágrimas escorrem
Pelos vidros da janela
E limpa a minha alma
A noite chora.
E brilha escura sem luar
Mergulho nas lembranças
Sentindo o seu perfume
Voltando aos tempos de criança
Posso correr, dançar
Subir aos montes
Sentir-me livre
Mergulhar nas águas do rio
Sentir uma voz distinta
Que vem ao meu encontro
Tão suave e cristalina.
Canta melodias
Fala de amores
Perdidos no passado das lembranças.
De riso e pranto
Das flores colhidas
À beira das estradas
Dos caminhos.
Amar em ser criança, ser mulher.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



segunda-feira, 24 de março de 2014

"SÓ"

 "SÓ"

Sinto-me tão só
Tenho um vazio
Que corroí-me o corpo
Cada gesto, cada palavra
Caí em silêncio na minha alma
Numa dor
Que corroí e mata
Trespassa-me a alma
Num silêncio agudo
Onde eu escondo-me
Para o resto do mundo
Estou e sinto-me só.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



quarta-feira, 19 de março de 2014

"RECONSTRUIR"

 "RECONSTRUIR"

Ajuda-me a reconstruir
Os estilhaços do corpo ferido
A recolher da minha alma os pedaços
Cada tristeza, cada caminho sem chão
Sejam só cicatrizes, de tanta desilusão
Escrevo numa folha de papel a minha dor
Rasgo aos pedacinhos atiro ao vento
Para que o vento leve a minha dor para longe
Insensatez......sentimento....angustia
Sombra pela intensidade, da solidão
Do seu vazio onde as lágrimas correm como um rio.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 14 de março de 2014

São mortos escondidos os lobos


São mortos
Escondidos os lobos e as raposas
Entre as giestas, sobreiros
Estevas e estevinhas
Uivam os lobos cheios de fome
Alcateias perdidas nas grutas
Das serras e montes
Andam os caçadores entre as fragas
Giestas no monte
A caça dos javalis que fazem a delicia dos caçadores.
Mata-se a fome bebe-se o vinho, dorme-se a sesta.
Uivam os lobos pelas serra e montes deste nosso Portugal..

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 11 de março de 2014

"ETERNO INVERNO"

 "ETERNO INVERNO"

Há noites que são imensas como um eterno inverno
Feitas de montanhas mudas e ventos cortantes.
Noites de sonho ou realidade carregadas de volúpia
Vestiu-me de amor e despiu-me de saudade.
Desapareceu escurecendo os sonhos
Que trazem lembranças, nas asas velozes.

Há noites que tornaram-se pequenas torturas
Lutam de esperanças entre nuvens, aurora vencida.
O canto do pássaro à janela, cansado do silêncio já vencido
Sentimentos apalpados ao toque dos sonhos adormecidos.

Aquecido pelas notas musicais, nos ponteiros do relógio
Bebo o doce o amargo da agonia para esquecer.
A sombra dos teus olhos, tento esquecer a realidade
Cega de lembranças, adormeço e sonho noites melhores.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



domingo, 9 de março de 2014

"SOLTE TUDO"

 "SOLTE TUDO"

Solte a vida e aprenda a respirar
Solte a dor acomodada no seu corpo

De tudo aquilo que faz mal.
Prende-te e não deixa-te viver

Solte as amarras que prendem
E não deixavam voar

De tudo que assusta e que faz chorar
Deixe ser amada e ame.

E voo...um voo sublime.
Cheio de amor, paz e liberdade

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 5 de março de 2014

"SOLITÁRIOS"

 "SOLITÁRIOS"

Becos escuros
Viúvas na solidão
Pensamentos solitários
Palavras mudas
Olhares maliciosos
Sombras malignas
Segredos no túmulo
Suspiros de desejo
Silencio vazio
Gritos de dor
Jardim abandonado.
Sangue venenoso
Grades de ferro
Retratos de sonhos
Sentimentos intriguistas
Vergonha escondida
Corpo manipulado
Carne apodrecida.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca