quinta-feira, 26 de junho de 2014

"PORTO DE ABRIGO"

 "PORTO DE ABRIGO"

Porto de felicidade
Pintaste no meu corpo, o teu nome
Com ele senti-me segura e protegida
Como a chuva que aparece com saudade
Leve, miudinha, mansa que ensopa
Todos os meus sonhos deste dia
Descreves o meu nome no meu corpo
Com palavras na minha memória
Pelo som, cheiro e sabor
Palavras que correm escritas
Com a tinta de uma pena suave, pelo meu corpo
Sangue quente que corre nas minhas veias
Como uma doce fragrância de amor
Ecos das palavras que escrevo
Onde sinto-me invadida com sentidos
Voz silenciosa
Que pintas o meu corpo de belas cores
Selamo-nos com a pintura com beijos molhados
Molhadas de um olhar sereno, porto de felicidade.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"ESCONDEMOS A DOR"

"ESCONDEMOS A DOR"

Escrevemos a dor, a dor que escondemos.
Perdemos e talvez queiramos esquecer.
Sentada ao computador numa noite fria.
Já não sinto os dedos que teimam em escrever.
Estou gelada e triste, é noite lá fora, a solidão é completa.
Odeio, odeio a noite, ela põe-me doente.
Vagueio pela casa, à procura não sei bem do quê?
Sinto o meu coração a congelar com o frio.
Frio das palavras que escrevo, que não consigo ouvir.
Procuro no meu baú de recordação.
Aquele que fechei a sete chaves algo que me fizesse rir.
E não encontrei nada, nada.
Fiz uma retrospectiva da minha vida.
Não gostei do que senti e vi.
Senti dor e dor
Mas lá continuei a remexer nas recordações.
Elas são tantas, são um misto de emoções fortes.
Lágrimas, lágrimas de amor e de saudade.
As crianças crescem tão depressa, talvez depressa demais.
E eu envelheço como qualquer mortal.
Das lágrimas da saudade, passei para o sorriso rasgado.
Pelos bons momentos, retratados nas fotos.
Na praia com as crianças, nas férias que fizemos.
Dos velhos tempos que deixaram tantas recordações.
Cheguei ao fundo do baú, já vivi tanto, já chorei tanto, já sorri.
Já abracei, já amei, sou uma vencedora apesar de tudo.
Eu ainda estou aqui, pronta para novas batalhas.
Tranquei novamente o baú de recordações
Ele vale mais que ouro.
As palavras que eu escrevo, essas levam-nas o vento
As recordações não.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 12 de junho de 2014

"PALCO"

 "PALCO"

Subo o pano do palco.
Sem público, sem palmas.
Sarcástica da minha própria derrota.
Acordo sozinha com os olhos e as pálpebras cerzidas.
Nas madrugadas e nas manhãs de trovoadas.
Tempestades em que se ocultam os morcegos.
Os escorpiões cheios de veneno, sem luz da vida.
Ânsias, mágoas embrulhadas em pele de cobra falsificada.
Subo o pano do palco, sem público, sem palmas, sem nada.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 6 de junho de 2014

"ESCREVER PORQUE"

"ESCREVER PORQUE"

Porquê? Porquê escrever, com dor na alma?
Se eu gosto de escrever poemas.
São como filhos acabados de parir.
Porquê andar por caminhos de pedras?
Se o meu chão é feito dos teus carinhos e ternura.
Porque é que eu ando a chorar pelos cantos?
Se apetece-me cantarolar, quando tu olhas para mim.
Porquê gritar aos sete ventos, todos os meus desejos?
Se eu oiço os murmúrios dos teus beijos.
Porque é que ando a fugir dos teus braços....
Com medo de sofrer?
Se posso sentir o teu desejo a deslizar no meu ser.
Porque é que ando a morrer por dentro de dor e solidão?
Se digo-te com loucura e com desejo
Amo-te meu amor "com prazer"!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


quarta-feira, 4 de junho de 2014

"PLANTE OS PÉS"

 "PLANTE OS PÉS"

Plante sempre e diariamente os pés
Em terra fértil para colher os frutos doces
E não os amargos, a vida é muito exigente
Ela gosta de pessoas determinadas, seguras
E firmes que não aceitam ser derrotadas
De pessoas sofridas na dor, que passam pelo abandono
E muitas vezes pela solidão que enxugam as lágrimas
E que não têm medo de seguirem o seu caminho
Que resistem à noite e ao sol, mesmo com o céu encoberto
E dos que sabem que estão no caminho certo
Mesmo que sejam só de fragas, pedras ou espinhos
Para quem não para e desiste, para quem segue adiante
A vida torna-se num campo florido e de água em abundância
Plante a sua vida e não tenha medo de viver.



8-11-2013
Maria Isabel Morais Ribeiro Fonseca