quinta-feira, 27 de agosto de 2015

CORPO PERFUMADO

CORPO PERFUMADO

Prende-me na tua voz para alimentar a tua prece
Fica comigo atrás das grades, torna-te devoto
Recicla as minhas loucuras só para as reinventar
Lanceta o meu corpo para ver o reverso do teu
Conheço a dor de cor, que arranquei do coração
Crema o desejo nas pétalas soltas da tua inexistência
Ama o meu corpo na terra, onde eu respiro contigo
Torna combustão, o que esfumaça dos meus lábios.
Sente o calor da insónia, a perder-se no chão das pedras
Partículas pequenas suspensas na ansiedade crescente
Corpo nu que flutua no vazio das labaredas da tua carne
Onde a eternidade tolda o sentido, recolhendo as cinzas soltas
Apaga a fome, sentirás o encanto do meu corpo perfumado.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 15 de agosto de 2015

TREVAS NOSSAS

TREVAS NOSSAS

A morte encontra um sentido por antecipação
Nas noites em que o abismo é sonolento
As trevas imperam no sangue, que corre nas veias
Onde reina o desespero das almas perdidas
Os sentidos enganam as presas na carne que queima
Nos muros feridos de morte do nosso tempo
Fez-se silêncio nas doces lágrimas salgadas
Nas mágoas de um violino que grita de dor
Já despido com as pautas na tempestade do vento
Choram as almas d’encanto nas trevas escuras
Vasto escuro céu, enigma de muitas almas esquecidas
A podridão gera o sangue que corre nas nossas veias
Mentalmente passamos a viver como sombras
Das saudades que abre os novos caminhos em lágrimas.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 8 de agosto de 2015

SONHOS DE INVERNO

SONHOS DE INVERNO

Sonhos nas manhãs deste inverno
No crepúsculo ferido ou perdido
- Que acaricia o som das palavras
Se alguma vez tu me perguntares

- Porque - desenhei os teus traços
Numa tela que vive no meu coração
- Eu responderei - é porque te amo
Enquanto as tuas mãos imaginam

- O contorno som de meus lábios
Numa noite rabiscada no espelho
- Do nosso pequeno, grande quarto
Estarei já na cavidade da tua boca

- Sedenta de sangue, corre nas veias
Neste grande dia, longa madrugada
- Simplesmente maravilhosa nirvana
Fogo teu, fogo meu em corpos nus

" No sonho com a nossa prosperidade
Na batalha para a nossa felicidade."
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

FIZ OU NÃO FIZ

FIZ OU NÃO FIZ

Fiz do oceano profundo a minha dor
Fiz da rua mais amada o meu canto
Fiz do meu sangue o meu lamento
Fiz dos dedos calejados um poema
Fiz da lua testemunha do meu amor
Fiz das palavras mal afamadas o trono
Fiz da fiel carne a sua própria liberdade
Fiz da alma um nevoeiro do seco deserto
Fiz da fé uma crença, um modo de vida
Fiz dos meus crucifixos o meu pensamento
Fiz dos carris o caminho de mim mesma
Fiz do esplendor do sol um abraço a Deus
Fiz da ferida da lua o adeus a própria dor
Fiz do espetáculo da vida o meu querer
Fiz da essência um obstáculo grande no agir
Fiz do desânimo o tempo que se tornou pequeno.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca