quarta-feira, 25 de novembro de 2015

FOME TENHO

FOME TENHO

Tenho fome
- Fome -
De tudo.....de todos
Do que és.....do que foste
Do que tu pensas
Dos que ficam
Dos que partem
Das coisas boas
Do silêncio.....do barulho
Do fogo....da água
De mim.....de ti
De te ter comigo
Do presente.....do futuro
Do deserto.....da serra
Do campo.....dos lobos
Do amor.....da paixão
Da paz .....de viajar
Fome de viver, de amar.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O HOMEM

O HOMEM

O homem vive escravizado e parece que gosta
Na origem das capacidades ainda não realizadas
Representa o início das incertezas nos recursos
De ganhos potenciais, de habilidades muito inúteis
Na presença de Deus, nas conquistas já alcançadas
Seres imperfeitos nas capacidades não significativas
O homem não consegue a perfeição, é escravo de si
Sabe que vai morrer sem despedidas, sem palavras
Será somente uma sombra, um dia, numa curta viagem
Seremos novos, velhos empurrados para simples buracos
Com desejos, sem desejos, com rancor, sem rancor
No fim o vinho do porto ganhou o seu velho sabor
Dos gritos em delírio de dor, rasgando os soluços
Das mulheres de terço nas mãos em corrente de oração
Toda a morte é um tributo na aparência desnecessária.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 14 de novembro de 2015

MUTILADOS RUBROS DE VINHO

MUTILADOS RUBROS DE VINHO

Restos mutilados na velha cor dos rubros vinhos
Gramática desarticulada acompanhada de lágrimas
Rasga a mortalha do peito no último arrependimento
Nas brumas dos caminhos esta o gemido silencioso
De um tonto místico profeta, na sua liturgia angustiante
Cicatrizes abertas no trilho da memória do sítio incerto
Tecerei uns sonhos irreais como feridos de batalhas perdidas
Penetramos no sentido da vida seríamos menos miseráveis
Nos anseios os tigres de garras que dilaceram o pior pesadelo
Duvida do suor com as lágrimas salgadas pedaços de si mesmo
Pobres de palavras para exprimir a mentira na dor do que
É escuro, sujo sem o conforto nas horas de sofrimento na verdade
Do tempo, de uma alma plantada do mundo que anda perdida
Não tem norte, nem vida, sente-se já crucificada dolorida
Sem sorte, sem sonho, sem destino, restos mutilados
Numa gramática de batalhas, esquecidas, perdidas
Escondidas no sentimento de uma alma em luto
Sem nunca ser compreendida nos rubros vinhos de cor.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SOLETRO SEMPRE

SOLETRO SEMPRE

Soletro esta minha inquietude
No nevoeiro da redonda terra
Entre a insensatez dos espinhos
Rosas que perfuram a carne branda
Pálpebras exaltadas no corpo
Devastação do fogo nas madrugadas
Há uma gestação feita de medo
No sangue derramado das palavras
Pétalas de mentira nas lágrimas de sangue
Delírio dos olhos nas palavras impróprias
Cobertas estão as portas na falácia da morte
Sepultura feita de ouro no vicio, na voz
Nas pétalas das rosas cruas de um quadro
Soletro as letras num precipício de palavras
Num fôlego abreviado de fartos espinhos.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

PÉS DESCALÇOS PASSOS FURTIVOS


PÉS DESCALÇOS PASSOS FURTIVOS

Pés descalços em passos furtivos
A chuva cobre-me na indecisão do tempo
Horas reprimidas na sonolenta noite
Instantes de esperas que escraviza a força
No silencio estremece o caminho da alma
Reticências cúmplices nos passos furtivos
Beijo faminto de um solitário ceifador
Que prega na escuridão da nossa mente
Amanhece por caminhos desconhecidos
Nas esquinas dos pensamentos sombrios
De devaneios surdos em pérolas perdidas
Insensatez desejada entre as rimas das palavras
Tatuada no contorno da alma dos pés descalços
Passos furtivos do lobo refém no corpo adormecido
Entre por leves caminhos nas margens do rio que tenho
Palavra sussurrada de gestos, de anseios noturnos
De estrelas, nas noites e nas manhãs desvanecidas
Pés descalços horas reprimidas na sonolenta noite
A chuva cobre-me os meus passos furtivos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca