sábado, 30 de abril de 2016

MAL AMADO


MAL AMADO

Ser poeta é ser mal amado de sonhos rejeitados
Vendaval de palavras, letras condenadas no tormento
Escrever é lançar no mar profundo uma leve pedra
É arrancar sangue com medo da cilada das palavras
Onde as palavras escritas escondem muitas outras
Repletas de abismos no silêncio que habitam em mim
Sombra esquecida da minha alma num pobre corpo
Corpo esse que é a sombra da minha pequena alma
A meditação leve liberta todo mal que habita no corpo
É como se a minha escrita vazia, estivesse em levitação
Do tempo que passa depressa demais, a vida é tão curta
Não quero ser engolida pela voracidade do tempo
Que passa depressa demais, viagem de olhos fechados
Por mares nunca dantes escritos, mordaça na boca
Escuridão de fados sem sonhos, revoltos em saudade
Silêncio de gritos nas páginas em branco famintas onde
Sinto uma inspiração que me causa já tanta, tanta felicidade.

╭✿
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 19 de abril de 2016

PERMUTA


PERMUTA

Permuta a dor sentida na poesia
Permuta o severo encantamento
Permuta o pensamento inconveniente
Permuta a contemplação de ninguém
Permuta os desvalidos dos outros
Permuta o sentimento em liberdade
Permuta de joelhos em oração
Permuta pouco a pouco de lugar
Permuta os sonhos em movimento
Permuta os desnudados corpos
Permuta as mentiras do mundo
Permuta o amor sentido pela poesia
Permuta a esperança esquecida
Permuta o amor tantas vezes perdido
Permuta o encanto de um poema
Permuta a saudade sentida na alma
Permuta o desejo do corpo em amor.
                   ╭)))*~╮
╭───╮ ((( ^ - ^)))╭✿
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 13 de abril de 2016

É TRISTE



É TRISTE

Ouve-se os gritos das almas que estão perdidas
Onde a luz atrai-as das trevas, que vagam entre
As lágrimas perdidas escondidas nas sombras
De uma outra dimensão que se cruzam no tempo
Sem lamentar todas as perdas das suas vidas
Sem medo mas já com a esperança no peito
Eles abriram os seus corações para o amor
Saciam famintos, sedentos, num último suspiro
Fogem da escuridão ou da morte, dum simples
Túmulo, assim num desassossego permanente
Como as árvores choram os ramos despidos
E as folhas amarelas perdem os pequenos pássaros
Nos murmúrios soltos do ar num crepúsculo
De dor, eles são as vozes de gritos num abandono
Se pudessem agarrar a fé perdida, gritando a triste
Noite, que vem mansamente num odor preso no chão.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca