quarta-feira, 27 de julho de 2016

ESCRAVO


ESCRAVO

Cravo os meus olhos
Nos teus olhos, no teu corpo
Desta tentação desatinada
Sangue que uiva através
Do meu corpo ao teu
Seios que são cerejas doces
Onde ficaste preso
Nos segredos meus, teus
Beijos dados dos teus lábios
Na textura doce da minha pele
Desejos nas pétalas das rosas
Entre as tuas folhas e o meu perfume
Desejo-te nas ondas do calor do teu corpo
Numa tarde de loucura em chamas vivas
Escravizando-te nas asas da minha imaginação.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

As Imagens Do meu Vídeo

segunda-feira, 18 de julho de 2016

PERNOITA O VERBO


PERNOITA O VERBO

Deixa que o verbo rebente
Como tu rebentas dentro de mim
E que a língua seja espuma de terra
Onde pernoitas em mim na gramática
Memória que morres ou finges amar
Pressinto já o teu luminoso aroma
Fogo dos teus braços ao meu redor
Oiço o rumor da chuva molhando
A terra, entre a fala da palha queimada
Na noite ausente instala-se a solidão
Vagarosamente em ocultas palavras
Amor com fome sem nenhum lume
Irrompo para beber-te, despir-te
Devias estar aqui rente à minha boca
Para que os meus lábios te beijem
Na divisão desta amargura contigo
Dos dias que são partidos um a um
Verbo das noites passadas contigo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



quarta-feira, 13 de julho de 2016

AINDA SOU

AINDA SOU

Ainda sou eu que me olho
No espelho e vejo um reflexo
Nem sei mais se é meu, mas sei
Que não serei assim para sempre
Não temo contrastes muito menos
Mudanças ou suspiros magoados
Sei que ainda, sou eu que escrevo
Escrevo o que sinto, amanhã não sei
Farei com que o amor seja pintando em mil
Segredos delicados, coloridos de amor
Hoje sou talvez poesia, canto da cotovia
Que me veio acordar, cantando docemente
Mas amanhã poderei ser apenas uma névoa
De brandas iras, que dorme contigo, no teu
Recanto de pena ausente, temerosa ousadia
No canto do teu olhar por entre vivas rosas
Ainda sou eu que rabisco tantos sentimentos
Lágrimas do meu imortal contentamento
Que deambula em segredos meus e teus
Nas vivas faíscas que me mostrou um belo dia
E de mim me esqueço, só para te amar.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


segunda-feira, 4 de julho de 2016

HÁ UM TEMPO PARA AMAR


HÁ UM TEMPO PARA AMAR

Há amores que ficam para sempre no peito
Há momentos que morrem no esquecimento
Há sentimentos que guardamos no pensamento
Há mágoas que se calam, outras que gritam
Há olhares que ficam e dá vontade de abraçar
Há dores que passam que desaparecem na areia
Há magia no por do sol e na sua contemplação
Há beijos que são beijados com os olhos da mente
Há uma louca imaginação quando os lábios se tocam
Há felicidade que aparece para aqueles que amam
Há sempre alguém que te faz sorrir lindamente
Há alguém que te faz sonhar quando estás acordada
Há no silêncio da madrugada doces de poesias
Há no silêncio da alma os olhos cheios de emoção
Há meias verdades que na verdade são meias mentiras
Há um corpo sob um lençol cansado de mais um dia
Há um céu carregado de estrelas que carrego contigo
Há um amor que cura a distância, dói em mim, de ti
Há uma cama onde eu descanso a minha alma, a tua
Há palavras que se calam, deixando espaço para o silêncio
Há um tempo para amar, outro para desejar ser amado.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca