quinta-feira, 13 de abril de 2017

FAMINTO PÓ

FAMINTO PÓ

Eu sei que morro sozinha
Mas morro nua sem pena
De mim dos pós que me
Cobrem o corpo em mim
Nua faminta a terra espera
Enquanto corrói, rói o negro
Véu já cerzido intacto, frio
Ungirás de óleo o meu corpo
Lavarás os meus lábios puros
Soprarás a poeira dos meus pés
Nada é medo, basta o silêncio
O despertar arrefece, vira agonia
Jogo escuro, grito de desespero
É a morte talvez o engasgo da vida
Eu já sei que morro sozinha, mas
Morro coberta de pós de alecrim.



   ❤
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

QUARTO

QUARTO

É por te amar assim tanto, que marco
Todos os ganhos as perdas e não te perco
Num labirinto esquecido que me consome

De desgosto onde me perco totalmente
Sem saberes o que sinto no meu peito
Desta minha paixão carnal que me consome

Cegamente, tolda-me a mente sem perceber
Que este amor não foi banal ou ainda indistinto
Incerto ou ainda confuso, mas sim verdadeiro

É por te amar assim tanto, que me esqueço
Sem saber que vivo entre as paredes do nosso
Quarto repleto de ervas trepadeiras em flores.

 Isabel Morais Ribeiro Fonseca.


sábado, 1 de abril de 2017

CRAVOS

CRAVOS

Escrevo que são quadras
Baladas, sonetos, versos
Escravos espetados rasgados
Sentidos na carne em letras
De silvas rimadas, cantadas
Escravas com cravos afiados
Escrevo para que sejam limadas
E não apagadas da mente perversa
De alguém sem emoção, sentimento
Escrevo saindo do peito, da alma
Crepúsculo solto que voa sem asas
Escrevo que faltam-me os dias, as noites
Inexistentes de mim onde me escondi
Deste meu corpo já tão mutilado.

🍃¯˜"*°••°"˜¯``🍃

Isabel Morais Ribeiro Fonseca